22 de diciembre de 2017

Ocidente - Alberte Momán

Atar é submeter.
Manter preso um animal com a pele de outro ani­mal.
A humilhação como a máxima expressão do domí­nio.
Submeter os escravos com a pele de outros escravos.
Aprendemos em crianças a falar a língua do homem branco, aquela do ocidente que se tornou universal, porque o ocidente só conhece uma língua.
Pego no copo, antes do primeiro sorvo olho ao redor e só vejo ocidente.

Ocidente Alberte Momán

Classificar a obra do Alberte Momán não é facil. Qualquer intençao de etiquetar o estilo literário dele é por necessidade reducionista. Falamos de um autor vanguardista, com certeza uma voz singular na literatura galega actual.

O Momán escrevera em galego normativo (Vattene! e Bosquexos para unha distopía) e castelhano (El legado extraterrestre), e faz-eo agora em galego reintegrado, com um volume que une um romance em duas partes (Não há ninguém perto de si e Diz-me o teu nome) e mais um poemário (Ocidente). O romance partilha elementos narrativos e argumentais comuns coa obra anterior dele, conformando um corpus global. 

Ocidente, que não emprega um núcleo argumental forte -uma visão surreal e deformada da viagem do herói-, e cuja estrutura narrativa é uma justaposição de cenas que buscan sempre impactar ao lector, provocar-lhe uma sensação, é um compêndio de todas as obsseções temáticas do autor, que víramos nos seus livros anteriores: o erotismo, a solidão, a sordície dos cenarios, a incomunicação e a incompreenção entre as pessoas, a hostilidade da sociedade moderna e, sempre, uma sexualidade e uma violéncia explícitas como forma de expressão, quase uma declaração de intenciões artísticas, em quanto as duas vão case sempre juntas e são muitas vezes indistinguíveis.

Aliás, e um romance experiencial e surrealista, onde as cenas mostram transições abruptas e inesperadas, e onde a viagem física e interior dos personagems é, em realidade, um proceso de deconstrução de ideias pre-estabelecidas e de lugares-comuns e, como os romances prévios do autor, de renúncia a qualquer género literário definido. 

Na linha de El legado extraterrestre, em o romance os personagems principais são os femininos, com un carácter sempre mais forte e decidido do que os masculinos, que aparecem sempre sujeitados às mulheres e definidos por uma personalidade débil, chegando a ser, como o ejemplo do Rocky Bailey, totalmente pusilánimes. 

Há em Ocidente um forte componhente simbolista, com uma figura argumental, a Baleia, que não têm uma interpretaçao inequívoca, pero que se mostra como um elemento quimérico para algumas pessoas e ineludível para outras, uma alegoría da sociedade ocidental moderna que engóle-o tudo, da qual não ha fugida, pois é a suma dos convencionalismos, das linhas de pensamento aceitáveis  e dos sistemas repressivos  que conforman a estrutura social dominadora. 

Esta metáfora da repressão estende-se às relações entre os personagems, em as que se percebe hostilidade e uma tendência ao isolamento e ao rejeitamento, transmitindo algum dos actores de Ocidente (particularmente os masculinos e especialmente o Alberte) uma forte sensação de perda, de abandono, de futilidade, como se a trama se desenrolar á margem deles.  São relações asimétricas, marcada péla ideia central do submetimento de umas pessoas a outras, também de ums escravos por outros.

Ocidente Alberte Momán

O poemário Ocidente, dedicado -e, em aparência dirigido- à Ana, contêm vinte e quatro poemas marcados temáticamente péla presença ominosa da figura do Home Branco, e por uma visão da sexualidade em termos de domináncia e submissão. Poesia de verso e métrica livres, muito expressiva, que cria imagems sugeridoras. 

o Home Branco e a Baleia sao assím dous rostos da mesma metáfora, ocidente entendido como sociedade europocentrista e patriarcal, gerida por tecnócratas, sen espaço para a liberdade, um pensamento único que escraviza às pessoas, esmaga e submete á diferença que supõem as mulheres que protagonizan Ocidente

O volume cérra-se com um Confessão do autor direcionada à Ana, que resume a intenção dele coa obra, algo que se calhar confirma uma ideia deixada péla lectura, a de que o Alberte Momán expõe no libro dele uma situação persoal, íntima, que Ocidente serve-lhe coma uma declaração sincera, crua, despida, e quizáis o personagem de Alberte seja, de alguma maneira, um elemento auto-ficcional. 

Ocidente têm uma estenção maior do que os livros anteriores do autor, mas este mantêm o seu estilo conciso, em o que cada oração está elaborada escolhendo as palavras precisas e não fica lugar para o supérfluo. A medida adequeada para um livro que não convém ler ás pressas para perceber todas as significações que o Alberte Momán encerrou em el. 


Ocidente pode-se comprar por 12 euros no site de El Figurante, em Libelista ou contactamdo com o autor.

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